O Arquipélago de Gotemburgo

Essa viagem aconteceu há dois anos, em junho de 2024.

Nada melhor do que uma viagem depois de algumas desilusões amorosas, né? Eu estava precisando de um respiro, de sair da rotina e me perder por alguns dias em um lugar cercado pela natureza. Queria ficar sozinha, desacelerar e recarregar minhas baterias emocionais.

Muitos anos antes, eu tinha visto fotos do Arquipélago de Gotemburgo e me apaixonado à primeira vista. Até hoje não sei por quê, mas coloquei na cabeça que seria muito complicado chegar lá. Quando comecei a pesquisar destinos para viajar naquela época e encontrei passagens baratas para Gotemburgo, resolvi investigar melhor. Foi aí que descobri que chegar às ilhas era muito mais fácil do que eu imaginava.

Ainda bem que resolvi dar uma chance a essa ideia. Essa viagem se tornou uma das minhas experiências solo favoritas.



Passei um dia explorando um pouco de Gotemburgo antes de pegar o ferry para o arquipélago. Gostei muito da cidade e fiquei com vontade de voltar para conhecê-la melhor. Mas, naquela viagem, meu foco eram as ilhas.

O Arquipélago de Gotemburgo é um conjunto de ilhas localizado na costa oeste da Suécia, conhecido por suas paisagens serenas, vilarejos charmosos e natureza preservada. Dividido entre os arquipélagos norte e sul, o destino oferece uma combinação perfeita de mar, trilhas, casas coloridas e o estilo de vida típico da costa sueca. Uma das grandes vantagens é a facilidade de acesso: em poucos minutos de barco saindo de Gotemburgo, é possível chegar a ilhas onde os carros são raros ou até inexistentes, tornando a experiência ainda mais tranquila e autêntica.

Desta vez, decidi explorar apenas o arquipélago sul, deixando o lado norte para uma próxima viagem. Afinal, sempre é bom ter mais um motivo para voltar.

Reservei uma acomodação em Donsö, numa pequena granny house com vista para um lago. Quando encontrei esse lugar, quase chorei de felicidade. Era exatamente o que eu procurava, simples, aconchegante e cercado pela tranquilidade da natureza.






A acomodação era bem pequena, mas tinha tudo o que eu precisava. Inclusive, consegui preparar minhas próprias refeições, o que foi uma grande vantagem, já que havia um pequeno mercado na ilha.

Assim que cheguei a Donsö, aluguei uma bicicleta para usar durante os dias que passaria no arquipélago. O mais curioso foi o processo de aluguel: não precisei pagar nada adiantado nem informar meu nome. A mulher simplesmente me entregou a bicicleta e disse “Quando terminar de usar, é só trazer de volta.”

Perguntei se ela tinha algum cadeado para eu deixar a bicicleta segura quando precisasse estacioná-la. Ela me lançou um olhar que parecia dizer “tá doida?” e respondeu que eu não precisaria de nada disso.

Foi nesse momento que percebi o quão seguro aquele lugar era. Ninguém iria roubar a bicicleta. Para quem veio de centros urbanos, foi um verdadeiro choque de realidade. Fiquei imaginando como seria viver em um lugar tão tranquilo, onde não é preciso estar sempre em alerta ou se preocupar que alguém possa levar algo que é seu.

Passei um tempo explorando Donsö de bicicleta (a ilha é pititica) e atravessei a ponte que conecta a ilha vizinha, Styrsö. Foi muito legal pedalar de uma ilha para outra, com o mar sempre presente ao redor. Sem destino definido, fui seguindo os caminhos até encontrar um pequeno porto cercado por casinhas vermelhas que pareciam ter saído direto um cartão-postal sueco.

Fiquei ali por um bom tempo, fotografando e observando a paisagem. Senti uma paz difícil de descrever. Era como se, por algumas horas, o mundo tivesse desacelerado só para mim.







Dediquei um dia para conhecer Vrängö, a ilha habitada mais ao sul do arquipélago. Peguei o ferry saindo de Donsö e levei minha bicicleta comigo, pronta para explorar cada cantinho!

O dia estava surpreendentemente quente, aproveitei para subir até um dos pontos mais altos da ilha e admirar a vista lá de cima (e pegar um ventinho hehe). Depois, segui por uma trilha com a bike que contorna parte da costa. Em alguns trechos, a vegetação ficava mais fechada e o caminho estreito. Precisei empurrar a bike, mas a recompensa valeu cada esforço.

Foi assim que encontrei uma pequena praia quase "escondida", cercada pela natureza. Estendi minha toalha, e fiquei ali lendo meu livro e fazendo um picnic meio improvisado. Passei horas ali. observando o movimento. A água parecia convidativa à distância, mas bastou colocar os pés para descobrir que estava congelante. Isso, claro, não impediu as pequenas crianças vikings de nadarem como se estivessem em águas tropicais. 

Um daqueles dias simples que acabam se tornando inesquecíveis. Vrängö é uma gracinha e, sem dúvida, vale muito a pena visitar.

















Uma das coisas que mais amei em Donsö foi poder caminhar apenas dois minutinhos saindo de "casa" e me deparar com paisagens como essas. Meu passatempo favorito era observar aquelas casinhas charmosas e imaginar como seria morar em uma delas. 

Também aproveitei pra ler ali perto das pedras e do mar. Eu acho meio mágico em ler cercada pela natureza. 

As próximas fotos foram tiradas por volta das 10 da noite. Sim, 10 da noite! Os verões no norte da Europa têm dessas maravilhas: os dias parecem não ter fim, e a luz dourada se prolonga até tarde!

Donsö conquistou um cantinho muito especial no meu coração. Que lugar incrível! ❤️













É possível fazer uma bate volta da cidade de Gotemburgo pro Arquipélago, mas eu recomendo muito mesmo passar pelo menos uns 2 dias conhecendo as ilhas, vale muito a pena.

Fazer esse post me deixou com muita saudade desse lugar. Tanto lugar no mundo pra conhecer ainda, só que me pego pensando em voltar pros mesmos lugares e viver tudo isso de novo. A vida é muito curta mesmo, né? 


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