Passei janeiro me recuperando de uma cirurgia no olho e também de uma gripe daquelas bem chatas. A sensação de sair da última consulta médica foi um alívio enorme, como se eu tivesse finalmente fechado um ciclo. Além de resolver um problema de saúde, tirar aquele cisto do olho também mexeu com algo muito maior: minha autoestima. Pode parecer pequeno para os outros, mas, para mim, foi como recuperar um pedacinho de mim mesma.
E enquanto tudo isso acontecia, Varsóvia viveu um inverno lindo e intenso. Foram dois meses de neve praticamente todos os dias. Em certo momento, eu já nem lembrava mais onde terminava a calçada e começava a grama, tudo ficou coberto de branco.
Definitivamente, foi o inverno mais frio que vivi aqui na Polônia nesses mais de 5 anos. Passamos semanas inteiras perto dos -10°C, com alguns dias chegando a -20°C. E o mais engraçado é que, quando a temperatura subia para 1°C positivo, a gente até sentia calor.
Acho curioso como o ser humano se adapta. Até ao frio mais extremo a gente aprende a chamar de conforto. E eu amo!
Depois de fevereiro, fui voltando aos poucos para a rotina normal no escritório. O meu projeto mais longo e fixo (que chamo de filho haha) voltou. Passei março inteiro e metade de abril completamente focada em dar o meu melhor. Foi intenso e muito cansativo. Além das minhas próprias responsabilidades, precisei treinar e acompanhar mais três pessoas novas em um time totalmente diferente do que eu estava acostumada. Sei que faço um bom trabalho, mas dá deu vontade de sair correndo.
Foi um período que me drenou de um jeito e precisei trabalhar aos finais de semana também. Eu chegava em casa e só queria me jogar na cama e ficar olhando para o teto. Sair da minha bolha introvertida, ter que estar tão disponível o tempo inteiro me consumiu bastante. E, aos poucos, fui sentindo minha criatividade desaparecer. Não consegui me dedicar ao blog, nem aos meus trabalhos de fotografia. Os hobbies que eu queria continuar (e até os que sonhava começar) acabaram ficando pausados também.
Encontrei conforto e descanso nos livros, nos momentos silenciosos e na companhia tranquila do meu gato. Acho que foram essas pequenas pausas que me ajudaram a continuar. Ouvindo muito o novo álbum do BTS, assistindo um pouco de anime e algumas séries.
E quando esse projeto finalmente terminou, senti como se o meu ano tivesse começado de verdade. A primavera chegou, os dias ficaram mais longos, o frio começou a perder força… e eu também comecei a voltar para mim mesma. A viver mais além do trabalho. E sabe o que aconteceu? Um dos meus artistas favoritos da Islândia veio fazer show aqui. Não só assisti ao show, como consegui conversar com ele, tirar foto e ter meu album autografado. Que presente do universo!
E agora arrumei mais um motivo para viver cansada: a academia. Nem acredito que finalmente estou conseguindo me dedicar de verdade a voltar a ser uma pessoa ativa e cuidar melhor do meu corpo. Tenho gostado muito dessa nova rotina de me exercitar pelo menos três vezes por semana e, junto com isso, voltar a me alimentar melhor também. É cansativo, claro… mas é aquele tipo de cansaço que faz bem.
No meio desse período intenso de trabalho e mudanças, também me deu aqueles clássicos “5 minutos” que toda mulher conhece muito bem: peguei uma tesoura e cortei uma franja.
Por um tempo, nossa relação foi pura instabilidade emocional. Teve dias de “aaaaiii, eu amei” e outros de “que merda foi essa que eu fiz?”. A verdade é que franja tem personalidade própria e, às vezes, é simplesmente um saco precisar arrumar ela todo santo dia. Mas agora acho que finalmente nos entendemos. Já me acostumei com esse novo visual e, sinceramente, estou gostando bastante dele.
E talvez a mudança mais simbólica tenha acontecido por dentro. No começo da primavera, senti vontade de marcar esse momento da minha vida como um florescer. Como se, depois de tantos anos vivendo em modo sobrevivência (entre depressão, ansiedade, traumas, dores e tantas outras batalhas silenciosas) eu estivesse finalmente encontrando o caminho de volta para mim mesma.
Ainda sou uma versão diferente de quem fui um dia, claro. As circunstâncias mudam a gente. Mas, pela primeira vez em muito tempo, sinto que voltei a ser eu.
Minha flor favorita sempre foi a sakura. E aproveitando que também era época de hanami no Japão, decidi fazer essa tatuagem nova de flores. Na minha cabeça, fazia todo sentido eternizar esse momento exatamente agora. E eu amei tanto o resultado… que acho que oficialmente comecei o perigoso caminho de querer fechar o braço inteiro de tatuagens. Socorro!!
Não estou nem um pouco preparada para o verão. Só de pensar em temperaturas muito altas já me dá vontade de voltar correndo para o inverno. Mas, como aprendi com a vida, todas as estações são necessárias, até aquelas que deixam a gente desconfortável. Acho que é isso: entender que nem tudo precisa ser exatamente do jeito que eu gosto para ainda valer a pena ser vivido.
Vou reclamar do calor, vou agonizar em frente ao ventilador e provavelmente repetir várias vezes que sinto saudade do frio (e comer muitas cerejas, a parte boa do verão por aqui). Mas também vou tentar encontrar as partes boas dessa estação e tentar aproveitar da melhor forma possível.








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